O Montanhismo é para
uns um esporte, para outros uma filosofia de vida e ainda para outros um
hobbie. Ele é daqueles esportes que ou você ama ou você ainda não experimentou
verdadeiramente a sua essência.
O ato de subir
montanhas por prazer, pelas paisagens, pela energia boa, pelo desafio de si
mesmo é mais antigo do que se pode imaginar, é dado pelos praticantes como um
data impossível de se precisar. Nem mesmo no Brasil, onde o montanhismo os
registros são relativamente não muito antigos (cerca de quase 2 séculos), não
há consenso.
Marco inicial: Quais são os melhores critérios?
O historiador do
montanhismo brasileiro Rodrigo Granzotto Perón já contribuiu muito gerando seus
bancos de dados sobre as expedições brasileiras na Ásia. Ele faz uma longa
reflexão a seguir, com sugestões de critérios que deveriam ser usados na
escolha do marco inicial do montanhismo no Brasil.
“Como marco inicial do
montanhismo brasileiro, temos que descartar a 1ª subida do Pão de Açúcar
(1817), a 1ª ascensão da Pedra do Sino (1841), e a 1ª escalada do Monte Roraima
(1884), pois essas conquistas foram feitas por estrangeiros. Eu também não
colocaria a 1ª escalada do Pico das Agulhas Negras (1856), mas essa não foi uma
ascensão “completa”, já que José Franklin Massena não prosseguiu até o cume
verdadeiro, parando em uma antecima (o cume foi tocado pela primeira vez apenas
40 anos depois)”. Perón continua:
Também eu descartaria
a 1ª subida do Pico da Bandeira (1859), pois essa foi feita a mando de D. Pedro
II, e a expedição foi apenas uma decorrência do imperialismo. Restam, portanto,
três datas importantes do montanhismo brasileiro, em minha opinião:
1879: 1ª subida do Marumbi – Olimpo
Essa ascensão foi
importante, pois foi “a primeira equipe de montanhistas reunidas no país, tendo
como finalidade essencial realizar uma escalada esportiva de montanha” (como
registrado por Cris Costa no Atlas do Esporte no Brasil).
1912: 1ª subida do Dedo de Deus
Essa foi a primeira
escalada técnica em uma parede realmente difícil e desafiadora, e uma ascensão
que realmente teve impacto na comunidade alpinística brasileira.
1953: 1ª escalada brasileira de um pico elevado no exterior –
Aconcágua
O cume do Aconcágua
foi uma espécie de rito de passagem para o montanhismo nacional, mostrando que
os brasileiros podiam fazer bonito no exterior também, e não apenas em solo
pátrio.
Perón finaliza sua
reflexão com a seguinte afirmação: “Eleger um dos três – ou outro marco
qualquer – é puramente arbitrário, e sem qualquer critério científico, sujeito
a críticas e a contestações”.
O fato é que a prática
do montanhismo vem crescendo muito no Brasil, mas ainda precisa de muito
incentivo, apoio e compreensão por parte da sociedade. E a Equipe Montanhismo e
Liberdade vem fazendo a sua parte pra que isso aconteça.
E assim começa mais uma aventura,
planejada e sonhada por todos!
Partiram de Viçosa Jean e Ernandia
em um carro às 4h da madrugada, chegando em Ubá as 5:15h. Feito o contato com o pessoal do outro carro, que eram Lúcia, Jr., Wanderlice e Eduardo,
que logo chegaram, então começamos nossa aventura rumo a Tiradentes.
Passando pela serra de Santa
Barbara, que serração! E como não ficar deslumbrado com a natureza, essa que
encanta e nos proporciona sentimentos escondidos em nós. O céu foi se abrindo
pelo caminho, foi ficando azul, e o sol levemente tímido foi se revelando pleno
decorrer do percurso.
Chegamos em Tiradentes e nos
dirigimos diretamente para o Camping Tiradentes, lugar agradável de grande
beleza, de encontro de rios, vários pontos de luz e água encanada, de árvores
frutíferas que Ernandia já foi se engraçando com um pé de mexerica, como disse
Wanderlice “candongueira”, para quem nunca ouviu como eu, significa fofoqueira
traduzido pela própria Wand, que se deliciou e muito, com os gomos das
mexericas.
Após Ernandia analisar bem o camping, checando os pontos certos para não haver
surpresas de alagamento, fomos montar nossas barracas. Com as barracas montadas partimos para conhecer a
cidade. Porém, antes precisávamos recarregar as energias, então paramos em uma padaria para tomar café e comer as delicias locais. Agora sim, podemos ir!
Com um mapa de agência de
viagem, que localizava os atrativos paramos no jardim em frente ao Rio das Mortes e definimos nosso roteiro, que seria visitar a pé as igrejas e demais atrativos na redondeza e depois, de carro, conhecermos a cachoeira do Paulo André.
A primeira
visita foi na igreja de Santo Antônio, construção belíssima com um visual ainda mais belo para a serra de São José desde o jardim da igreja Lucia, Jr, Ernandia, Jean e Cleide, Eduardo e Wand entraram
para visitar seu interior pois e uma das três igrejas do pais com 400Kg de ouro
em sua ornamentação, Eduardo queria saber dos números no piso de madeira,
quando Wand contou que eram enterrados os moradores locais ali, logo um frio
atravessou a espinha, e tratou logo de não pisar em nenhum número mais.
Seguindo o passeio fomos descendo
as famosas ruas de casamento de pedra, com várias lojas de artesanato de
encantar os olhos. Na praça com a estátua de Tiradentes decidimos pegar os
carros e conhecer a famosa cachoeira do Paulo André, após informações subimos
pela rua da igreja de São Francisco em direção ao bairro onde fomos informados
que ficaria a cachoeira, após informações de moradores locais, chegamos ao
local onde indica a trilha do carteiro, descemos e continuamos nosso percurso a
pé onde avistamos as deslumbrantes borboletas Morfo Azul (Morpho menelaus). Seguimos trilha a cima
passamos por duas pontes pequenas de madeiras que eram a referência para a
cachoeira, como não vimos voltamos, ao perguntar a uma turista recém entalada
fomos avisados que se trata de uma pequena queda d’água. Outra turista que
também procurava a cachoeira nos sugeriu que visitássemos a cachoeira que fica
na estrada velha sentido São João Del Rei e assim fizemos.
Após visitação fomos informados
que na cidade vizinha de Santa Cruz de Minas tinha um restaurante em um posto
de gasolina com comida caseira e preço acessível, nos dirigimos para lá pois já
era por volta das 12 horas, encontramos e nos deliciamos com uma comida com sabor
especial e principalmente mineira.
Após o almoço o grupo se dividiu em quem
queria conhecer São João Del Rei e suas belezas e os que queriam ir descansar, o
grupo de São João o qual eu estava vou em busca das famosas cocheiras da
região, a aventura foi boa, ao perguntar em um restaurante na beira da rodovia,
fomos orientados a entrar em uma rua de terra ao lado, ao entrar e seguir o
caminho enformado fomos parar em um acampamento de ciganos, onde uma senhora
lavava roupa em uma bacia, nos orientou a caminho certo. Voltamos e pegamos a
direção da cachoeira dos três poços, porteira fechada e tínhamos que andar uns
40min. por trilha, como o almoço já pesava decidimos voltar para o acampamento
para descansar. Passamos na rodoviária contratamos a táxi que nos levaria até
Prados.
Já depois do descanso e banho
merecido veio a noite com seu céu de estrelas que só quem admira sabe o valor
que tem. Sopa quentinha, um bom vinho com os amigos que quiseram ficar e
papear, assim que fomos nos recolhendo os companheiros de badalação foram
chegando, em então hora de arrumar as cargueiras para a tão esperada travessia.
Acordamos as 5h e Jean e Ernandia
já tinham esquentado a água para nossos cappuccinos, café da manhã tomados,
barracas desfeitas e nossos táxis chegam pontualmente 6h. Embarcamos ruma a
Prados, estrada mostrando o tempo todo a serra que nos esperava, fomos deixados
na estrada que dá acesso a entrada do caminho perto de uma estação de água da
COPASA. Caminhamos e já avistamos a placa de entrada e paramos para a primeira
foto de registro do grupo.
Caminhamos até chegar na casa de construção
onde o GPS nos indicou que deveríamos atravessar a cerca de arrame e seguir
pelo pasto acima como a rota do Chico trekking nos dizia fazer. Após subir mais
alguns metros chegamos na casa de pedra construção perto da pedreira
desativada, mais fotos registros e já avistamos um pequeno lago de água,
acabamos de subir e podemos avistar Prados, que bela vista, e pausa para o
lanche, e avistamos ao longe um grupo de garotos subindo ao longe, acenamos e
voltamos para nossa rota, continuamos e chegamos ao primeiro ponto de coleta de
água onde enchemos nossas garrafas e tratamos com clorin como recomendado na
rota. Caminhamos e chegamos ao primeiro acampamento onde deixamos as cargueiras
e fomos até o Cruzeiro, que ali se encontrava o grupo de rapazes avistados
antes, eles nos mostraram as cidades localizando São João Del Rei, Tiradentes e
Bixinho um distrito, fotos para um registro no cruzeiro eles seguiram seus
caminhos, e nós voltamos pegamos nossas cargueiras e continuamos, mais um ponto
de água pela frente, passamos e seguimos rumo aos campos rupestres.
Caminhamos pelo precipício que era de uma
beleza inexplicável, no meio da mata verde e fechada uma linda Quaresmeira se
destacava e a brisa que nos oferecia um frescor revigorante. Por volta das 14h
chegamos no segundo camping o que não tinha água, paramos para o almoço e
merecido descanso, então ao verificar que tínhamos pouca água decidimos
prosseguir e fazer a travessia apenas em um dia, mesmo com todos os
equipamentos para acampar.
Por volta das 16h chegamos na
rota que nos levaria ao tumulo do carteiro, onde avistamos três rapazes que
vinham da cachoeira e seguiria a trilha do carteiro, após conversas decidimos
não ir no tumulo e seguir, ai vem um trepa pedra bem leve e mais uma serra
bem puxada pois o cansaço o sol e a falta de água que já começava a faltar,
paramos respiramos e continuamos.
Ao avistar Tiradentes e o som da
maria fumaça nos enchemos de ânimo e acabamos de descer a serra, mais um ponto
de coleta de água essa era especial o último como disse Ernandia, e com um
brinde a mais, um mergulho de uma rã jovem, garrafas enchidas e fomos andando,
pois, o sol já se despedia. Mas um pouco e o som da cachoeira nos fazia lembrar
que o percurso estava no fim, alguns turistas acampando, outros na trilha de
banho tomado. E ao escurecer nossas lanternas foram acionadas e um cheirinho de
comida surgia no meio do mato!
E as 18:30 mais ou menos vimos as
luzes da cidade o barulho de carros na estrada nos avisava que já estava
acabando. Chegamos chamamos os táxis e mais uma vez registramos nossa vitória.
Chegamos ao camping Tiradentes, tomamos um belo e maravilhoso banho e fomos nos
deliciar uma pizza na cantina da Sandra. Voltamos ao acampamento repousamos e
as 6h já estamos de pé para voltarmos para nossas casas e pegar o almoço de
páscoa com nossos familiares. Em Ubá nos despedimos de Ernandia e Jean que
seguiram para Viçosa, e lá conseguiram finalmente tomar o tão sonhado açaí da
vitória.
Entre os dias 24 a 26 de fevereiro, a Equipe Montanhismo e Liberdade chega à uma das mais famosas do Brasil e tão sonhada travessia Petro x Terê. A travessia fica dentro do Parque Nacional da Serra dos Órgãos (PARNASO) e para realizá-la é necessário comprar os ingressos com antecedência.
Veja um pouquinho de como foi essa conquista!
Enfim, chegou
o grande dia e o sonho já estava sendo realizado, saímos de casa de madrugada,
com destino a Teresópolis onde contrataríamos um táxi que nos levaria para a
portaria do Parque em Petrópolis. Chegando fomos resolver todas as burocracias de
ingressos, comprovantes de pagamentos e termos de responsabilidade. Cada
visitante recebe uma pulseira de identificação que poderia ser retirada do
braço somente ao final da travessia. Ela identifica qual trekking estamos
fazendo.
1º Dia - Portaria x Açu (XX Km)
Fomos liberados!
Começamos a subida às 13h, subida íngreme, mas com trilha bem sinalizada.
Depois de algum tempo de caminhada deparamos com uma cobra atravessando a
trilha. Era uma linda e grande Jararaca que ao nos ver saiu de fininho e tomou
seu rumo. Antes disso, corremos para fotografá-la pra poder mostrar para vocês!
A jararaca, uma das serpentes venenosas mais conhecidas do Brasil, é uma espécie típica de Mata Atlântica que possui hábitos noturnos e terrícolas.
Alguns morrinhos, vários passos dados e
chegamos no chapadão, trecho tranquilo, com belas paisagens. O Sol já se retirava quando avistamos o Castelo do Açu, mas isso não nos impediu de
fazer algumas belas fotos e de apreciá-lo. Ao chegar no abrigo, fizemos o check in e
fomos montar as barracas na área de camping que fica um pouco acima do abrigo. Tomar um banho e preparar a
janta. Nosso cardápio do dia? "Sopa" e refresco, prato ideal para recarregar as energias na noite fria.
No dia seguinte, acordamos
com o tempo tomado pela neblina e subir o mirante era impossível. Fomos tomar o nosso café. Durante
o preparo conhecemos dois mineirinhos de Valadares, o Daniel e o Henrique, gente finíssimas que pediram permissão para caminhar conosco o restante da trilha. Acabaram se tornando membros permanentes da equipe.
2º Dia - Açu x Pedra do Sino x
Portaria (XXY Km)
Todos preparados, hora
de botar o pé na trilha rumo ao Abrigo 4, destino do segundo dia. Entre nós e ele estavam, além da Pedra do Sino, cinco vales. Era um sobe desce bastante exigente, mas quando se trata de montanha estamos sempre preparados.
O trajeto do segundo dia no sentido Petrópolís-Teresópolis traz três bons desafios, o Elevador, o Mergulho e o Cavalinho. São trechos com passadas um pouco técnicas e que dependendo do preparo do grupo exigem o auxílio de uma corda.
Estávamos ansiosos, pois atravessados esses pontos começaria a se revelar a paisagem dos picos que dão nome à serra. Pontiagudos, e dispostos paralelamente, o Dedo de Deus, o Dedo de Nossa Senhora, o Cabeça de Peixe, o Santo Antônio, o São João, o Verruga do Frade, o Agulha do Diabo e o Garrafão parecem mesmo os majestosos tubos de um órgão, instrumento musical.
Órgão de Tubos Mosteiro de São Bento - Vinhedo. Imagem: reprodução.
Vista parcial da cadeia de montanhas da Serra dos Orgãos. Imagem: reprodução.
O Elevador é uma escada de grampo de ferro colocada para dar segurança nos 50 m de subida vertical na pedra. Um pouco mais de caminhada e chegamos no
"mergulho", que é um trecho de encosta que demanda muita atenção, como
estava com muita neblina, usamos uma corda para descer com segurança. Descida
concluída com sucesso, caminhamos até o "cavalinho", uma subida íngreme
com abismo à esquerda, considerado o ponto de maior perigo na travessia. O
primeiro a subir foi o Raul, que fixou a corda no grampo e foi puxando as
nossas cargueiras para cima. Neste trecho a chuva não deu trégua, não
conseguimos avistar nada.
Subida no Elevador, 50m bastante íngremes. Um gostoso desafio!
Detalhe dos grampos do Elevador.
Descida no Mergulho, ponto escorregadio em dias chuvosos.
Superados os desafios do trajeto do segundo dia, seguimos caminhada rumo à Pedra do Sino. Após uma parada na sua base, decidimos subi-la mesmo com uma densa neblina. Não vimos nada,
absolutamente nada da paisagem. Tudo branco, mas ainda assim comemoramos a conquista.
Chegamos no Abrigo 4 com
chuva, eram 14h. Ao perguntar o guarda-parque qual o tempo de caminhada do dia seguinte, fomos surpreendidos com a resposta de que seriam somente mais 4 horas. Nos reunimos e decidimos que
era melhor seguirmos a trilha e acampar no final da travessia, para no dia seguinte pegarmos a estrada descansados.
Nas últimas horas de
caminhada, foi só descida, o que forçou bem os joelhos que reclamaram no final. Hora
de botar o corpo no piloto automático, aí já sabe neh, é cada pedra que a gente
tropeça. Mas pra baixo todo santo ajuda.
O caminho é bem demarcado, nem precisa de GPS, é quase uma estrada. Além do mais é lindo, bem aberto sob a copa de uma mata fechada e cheio de cachoeiras e lagos à sua margem. A trilha termina quando
se atravessa uma porteira, ao lado do último estacionamento da parte alta do parque pela portaria de Teresópolis, daí é só descer por alguns km até o
camping.
Chegamos no camping,
fomos montar as barracas, tomar banho, preparar o rango e descansar. No dia seguinte, antes do retorno, ainda deu tempo de conhecer a sede Teresópolis, comprar lembrancinhas e dar um mergulho na piscina meio natural, meio artificial construída ao lado da sede.
Não acrescente dias a sua vida, mas vida aos seus dias - Harry Benjamin
Então, chegou o grande dia da
equipe pegar a estrada novamente. Nosso destino é a travessia mais clássica da
região da Serra do Cipó, a tão sonhada Travessia Lapinha x Tabuleiro. Lapinha
da Serra, como é conhecida fica no distrito de Santana do
Riacho, já Tabuleiro fica no distrito de Conceição
do Mato Dentro, ambos em Minas.
Ah, Minas Gerais, já sabemos que
tu és bela!… mas fomos surpreendidos novamente ao conhecer mais uma parte da
Cordilheira Brasileira, um pedacinho da Serra do Espinhaço.
E é isso mesmo. A Serra do
Espinhaço, um lugar simplesmente i-n-c-r-í-v-e-l! É uma cadeia de montanhas que se estende em
uma linha Norte-Sul entre os estados de Minas Gerais e Bahia, compreendendo,
dentre outros trechos, as conhecidas Serra do Cipó e Chapada Diamantina – só de
saber dessa parte você já começa a criar certa expectativa sobre a beleza do
lugar, não é mesmo!?
Pois bem, de mochila pronta
largamos nossas casas, percorremos alguns quilômetros de carro até Lapinha.
Trajeto de carro de Viçosa à Lapinha da Serra.
Chegamos a Lapinha já era noite,
fomos bem acolhidos na praça por uma rodinha de amigos que também nos indicaram o
camping (Camping Raízes), local onde passaríamos a noite. Com acampamento montado, fomos jantar...
Amanheceu! Da porta de nossas
barracas, entre árvores avistamos o magnífico Pico da Lapinha, e logo
pensamos, daqui a pouco chegaremos ao cume!
Depois de um belo café da manhã e de
mochilas prontas, iniciamos a nossa travessia, tendo como guia o Garmin etrex 30,
o GPS.
GPS Garmin etrex 30, muito preciso e resistente a água. Indicado.
Deixamos Lapinha... Entre trilhas
de “zigue-zagues” uma parada e outra apreciávamos toda aquela beleza que íamos
deixando para trás a cada passo. De repente, estávamos no cume do Pico da
Lapinha, com 1.580 m de altitude, com vista privilegiada para a Represa da Usina
Coronel Américo
Teixeira, mais conhecida como represa da Lapinha, que é de
tirar o fôlego.
Da Cruz no cume do Pico da Lapinha, admire um dos mais belos visuais da sua vida!
Após alguns minutos de contemplação e hidratação, partimos, pois ainda havia muito chão a ser percorrido. Em meio à trilha paramos para abastecer os cantis e nos deparamos com uma cobra tomando, digamos, um "banho de sol".
De pé na trilha, de baixo de sol
forte, percorremos por um campo aberto com um belíssimo vale. Com alguns quilômetros
percorridos em meio a afloramentos rochosos avistamos o Pico do Breu, com 1.687 m
de altitude. Ele é o ponto mais alto da travessia. Fizemos uma rápida parada
bem a sua frente para lanchar e observar o “zigue-zague” que iríamos fazer até
a crista que nos levaria para o topo coberto por campos rupestres.
Fizemos uma
pequena parada no topo do Breu, começamos a deixar o cume mais adiante quando o
declive se acentua descendo em campo aberto e sem trilha definida. É uma
descida desgastante e bastante íngreme, mais todo esforço vale a pena, ainda
mais quando se avista a Prainha.
Toda a diversidade do ecossistema
local é encontrada durante o percurso com seus campos rupestres, sempre-vivas gigantes,
o típico cerrado mineiro e rios de água escura.
Prainha, um oásis em meio a um ambiente seco e desértico.
A partir da Prainha a trilha
começa com uma subida rápida e tranquila até cruzar algumas cercas de arame e
porteiras. Ao observar o relógio perto da casa da Dona Ana Benta, constatamos
que tínhamos tempo suficiente para chegar à casa de Dona Maria, ganharíamos
mais tempo para curtir a Cachoeira do Tabuleiro no dia seguinte. E assim, continuamos no rala bota.
Depois de muitas passadas,
subidas e descidas, o tempo fechou rapidamente, uma tempestade se aproximando,
não havia onde nos abrigarmos, era um campo aberto, o tempo foi só de tirar o
sobre-teto da barraca e formar uma rodinha e se cobrir. Montanhismo é isto, nem
tudo são flores, perrengue faz parte, a chuva veio acompanhada por granizo, durante
uns 30 min. E o perrengue não parou por ai não, descemos aproximadamente 1 km,
eis que surge um rio, antes um córrego, mas se encheu devido a tempestade. Era
impossível atravessar. Estava enchendo muito rápido. Tivemos que agir rápido.
Formação de tromba d'água na Serra do Breu.
Corremos
rio acima até achar o ponto que ele se divide para atravessar, fizemos uma
ponte com a própria vegetação e atravessamos três rios já no escuro. Mais
alguns quilômetros e chegamos à casa da Dona Maria por volta das 21h e 15 min. Fomos
montar o acampamento e preparar a janta.
Pois fique tranquilo, a Serra do
Espinhaço faz por merecer. Dia seguinte após a chuva, o sol nasce lindo.
O 2° dia é o dia mais tranquilo, fizemos o
ataque ao topo da Cachoeira do Tabuleiro. A trilha segue subindo durante uns 30
minutos e depois começa uma descida constante até chegar ao rio da Cachoeira do
Tabuleiro. Daí é só seguir o fluxo da água beirando o rio, dentro
da sua calha, até chegar ao topo da Cachoeira do Tabuleiro.
Mesclada pela vegetação, a cachoeira
se destaca pelos seus belíssimos morros, rochedos, cânions, vales e cachoeiras.
O visual é magnífico e a energia, a sensação de estar ali é inexplicável. É
possível tomar banho nos poços próximo a sua cabeceira e apreciar outros poços
e quedas d’água, em meio a jardins naturais com orquídeas e bromélias gigantes.
Visão da cabeceira da Cachoeira do Tabuleiro, 273m de pura queda livre.
De volta para o acampamento, é possível jantar, isso mesmo, a Dona Maria e família servem uma maravilhosa janta feita em fogão a lenha.
O 3° e último dia, recomendamos
acordar o mais cedo possível, assim é possível aproveitar mais a Cachoeira do
Tabuleiro, além de não sofrer com o sol escaldante na trilha. E foi o que
fizemos, iniciamos a descida às 4h e 30min, trilha bem tranquila apesar de
alguns trechos com pedra solta. Caminhar sob a luz das estrelas não tem preço,
sensação única.
Então amanheceu e nessa hora
estávamos chegando ao mirante da cachoeira, visão privilegiada, momento único e
marcante. A Serra nos brindou com esse maravilhoso presente, pegar o nascer do
sol de frente para a maior cachoeira de Minas.
Chegando à entrada do Parque do Tabuleiro, deixamos
nossas cargueiras e fomos para a cachoeira, uma caminhada por trilha até o rio
e seguida de um trepa-pedra rio acima até o poço. Caminhada de aproximadamente 1h e 30min.
Localizada no Parque Natural Municipal
do Tabuleiro, no Parque Estadual da Serra Geral do Intendente, no Distrito
de Tabuleiro MG à 19km da sede Conceição do Mato Dentro, a cachoeira é a mais
alta de Minas Gerais e a terceira do Brasil. São 273m de queda livre, o equivalente
a um prédio de 91 andares, diante de um paredão fantástico e multicolorido, de
beleza monumental descem as águas frias e de tonalidade caramelo, daí, a
formação de um enorme poço para banho de cerca de 20m de profundidade e é rodeado
por blocos de pedras.
Aventure-se em um dos mais lindos
cenários de Minas, atravessando paisagens incríveis e isoladas da civilização.
Realize a travessia Lapinha x Tabuleiro, caminhada de 3 dias (42km) que nos
leva a cachoeira mais alta de Minas Gerais e a terceira do Brasil.
Assista o vídeo da travessia e partilhe mais um pouquinho dessa emoção!