Montanhismo e Liberdade

terça-feira, 10 de julho de 2018

Expedição Itacolomi 2018 - Uma aventura completa!


A Expedição Itacolomi é um roteiro idealizado pela Equipe Montanhismo e Liberdade e se sobressai por seu caráter duplo com uma parte de passeio histórico e ecoturismo. É impossível ir a Ouro Preto e Mariana e não visitar uma de suas minas de ouro, não conhecer mais da história de onde nasceu Minas Gerais.
Foi pensando nisso, que organizamos uma aventura que começa nas minas e igrejas de Ouro Preto, passa pelo belíssimo Parque da Cachoeira das Andorinhas e se completa no imponente Pico do Itacolomi...
Abaixo, você pode conferir um pouco de como foi essa expedição, pelos olhos de Alexandre Clementino, montanhista de Ubá e membro da equipe.

Grupo da Expedição Itacolomi 2018 na trilha ao Pico do Itacolomi (1.772m). FOTO: Montanhismo e Liberdade.


E assim começa nossa aventura rumo ao Pico do Itacolomi!

Partimos de Ubá (MG), Alexandre e Joselita, na sexta-feira dia 06/07/2018, após o jogo Brasil 1 x @ Bélgica, rumo a casa do Jean em Viçosa (MG). Chegando fomos apresentados à Arielle, Renata, Claire (a chinesa) e Francie (a estadunidense) e mais tarde se juntaria a nós o Conrado que estava vindo de Juiz de Fora (MG).
No sábado 07/07/2018, nosso piloto de fuga, Nivaldo, chegou às 05:30 na casa do Jean, colocamos as bagagens na van e partimos para buscar o resto da galera. No posto juntou a nos, Rodrigo, Mayara, Rafaela e Priscila, então descobrimos que estava faltando algo muito importante para a noite, após uma breve votação decidimos dar uma volta até a casa da Mayara e Rafaela para buscar nosso amigo violão que ficou esquecido e era imprescindível. Com o violão presente, partimos sentido a Ouro Preto (MG). Na saída de Viçosa (MG), estava a nossa espera, Roni e por último, mas não menos importante, pegamos nossa querida guia Ernandia. Viagem tranquila, alegre, de boa conversa, causos e música de raiz, como todo bom mineiro preza, em pouco tempo estávamos em Ouro Preto (MG) e fomos encontrar nosso guia turístico, André.

Van completa. Violão à bordo. Podemos partir! FOTO: Montanhismo e Liberdade.
No pátio da igreja de São Francisco, nosso guia, fez um breve relato sobre o surgimento da cidade, seu povoamento e as divisões existente nela. Dali seguimos para o complexo de minas de extração de ouro do Chico Rei, chamada de Complexo Palácio Velho, onde ficamos maravilhados com a forma que era extraído o minério precioso. Em seguida fomos para a igreja matriz de Nossa Senhora do Pilar, onde nos foi apresentado de forma excelente vários detalhes da monumental construção e dos costumes de épocas passadas. 








Após o almoço fizemos uma rápida visita ao Parque Municipal da Cachoeira das Andorinhas. Local maravilhoso e mágico, pena que a visita foi relâmpago, afinal o nosso objetivo era outro e tínhamos horário a cumprir. Mas serviu para ficarmos com vontade de voltar e explorar mais. Chegamos ao Parque Estadual do Itacolomi, no final da tarde, montamos acampamento e partimos para a nossa noite cultural. Acender fogueira, preparar a janta e então em volta da fogueira, mais contos, causos e viola. Uma noite de muita conversa boa, cultura, crescimento e envolvimento. Noite linda, de céu estrelado e de um friozinho gostoso e muitas histórias.
Na manhã do domingo 08/07/2018, a alvorada foi às 5:30h, seguido de um café campeão e após todos estarem devidamente equipados e preparados, partimos rumo a conquista do Pico do Itacolomi. Trilha tranquila, com paisagens exuberantes. Na subida várias paradas para fotos e por volta das 10:30h, havíamos chegado ao topo.














Lá nosso guia Jean fez um breve relato sobre o pico, suas histórias e lendas, indicando ao fundo a Serra do Caraça e informando que estávamos em uma cordilheira que é a Serra do Espinhaço. Após um tempo para contemplação da natureza e mais fotos, iniciamos nossa descida, chegando à área de camping por volta das 13:00 hs. Aí, foi desmontar acampamento, colocar tudo na van e retorno à Viçosa (MG).
Agradecimento esterno a todo o grupo que nos proporcionou esta magnífica experiência de vida. Excepcional final desemana, de companheirismo, partilha, fraternidade e crescimento. E que venham os próximos!!!

Gratidão!!!!


VEJA ABAIXO O VÍDEO DA EXPEDIÇÃO!






sexta-feira, 30 de junho de 2017

EXPEDIÇÃO ITATIAIA 2.0 - A Segunda vez é ainda melhor!

    
    Depois da Expedição Itatiaia em dezembro de 2015, que reuniu a Equipe Montanhismo e Liberdade e o Grupo de Esportes Radicais de Ubá - G.E.R.U em uma aventura até o cume do Pico das Agulhas Negras, do Morro do Couto e das Prateleiras, as equipes embarcam novamente numa aventura de tirar o fôlego, a Expedição Itatiaia 2.0.


Galera no trekking para a Pedra do Altar, com o Agulhas Negras ao fundo.


Dessa vez a expedição reuniu a galera de Viçosa, Ubá e Rio Pomba e se iniciou oficialmente na quarta-feira, 14 de junho, com a saída do Jean de Viçosa e da Natália de Ubá, para pernoitar na casa do Raul em Rio Pomba e de lá seguir viagem.

As 4 horas da manhã de quinta-feira encontramos com os outros integrantes da equipe, Alberto e Débora de Ubá e Gilcimar e Fabrício de Rio Pomba. Com o grupo completo seguimos viagem em direção ao Parque Nacional do Itatiaia, que é uma unidade de conservação brasileira de proteção integral localizada no maciço do Itatiaia, na serra da Mantiqueira, entre os estados do Rio de Janeiro e Minas Gerais. Este foi o primeiro parque Nacional do Brasil, criado em 1937.
Depois de muita estrada, alguns erros e acertos no caminho, chegamos à portaria da parte alta do parque por volta das 11h e encontramos com o nosso guia Leonardo, que após acertamos a nossa entrada, informou que pelo horário avançado não seria possível fazermos o trajeto planejado que seria o Circuito Cinco Lagos com ida à Cachoeira da Aiuruoca, então seguimos pra um ataque bacana à Pedra do Altar, que tem 2.665 metros de altitude. Passamos pelo abrigo Rebouças e seguimos pela trilha até o cume. É um percurso leve, bem sinalizado e de fácil acesso. Pegamos o dia bem aberto, o que nos proporcionou várias imagens maravilhosas.
            No final desse dia seguimos até o bar do Miguelzinho para experimentar vários tipos de queijos e tomar aquele cafezinho. No caminho fomos presenteados com um pôr-do-sol deslumbrante. E logo em seguida seguimos para o sitio onde ficamos hospedados.





          Na sexta – feira, saímos bem cedo com a intenção de subir o Pico das Agulhas Negras, mas infelizmente não conseguimos vagas, pois o parque possui uma regra que só é possível subir 80 pessoas por dia. Então, após uma reunião rápida do grupo, optamos pela Prateleiras, que tem 2.540 metros de altitude. A caminhada até a sua base é leve e as trilhas são bem definidas. Entretanto em seguida se inicia um trecho de trepa-pedra e passagens estreitas formadas por grandes blocos rochosos, onde é necessário o uso de corda em alguns momentos. Quase no cume, é preciso superar o lance conhecido como "pulo do gato" e seguir em direção ao ponto mais alto das Prateleiras, onde encontra-se o livro do cume.

As Prateleiras, com 2.540 metros de altitude, é uma das ascensões mais difíceis e exaustivas do PNI.




               No sábado Débora e Alberto retornaram para Ubá. O grupo que ficou seguiu para o parque para subir o Pico das Agulhas Negras. Saindo um grupo às 3:30h da madrugada para garantir a vaga de todos, e o restante saindo as 6:00 horas  para estar na portaria as 7 horas em ponto, e assim começar a subida rumo ao cume.
             O pico das agulhas negras tem 2790,94 metros de altitude, é o quinto ponto mais alto do Brasil. A caminhada até o cume não é simples, é necessário ter um guia e equipamentos de segurança. A visão lá de cima é incrível. E para assinar o livro é necessário uma descida de rapel e depois escalar.

Pico das Agulhas Negras, uma formação rochosa intrigantes e desafiadora.

          No domingo outros dois integrantes, Fabrício e Raul, retornaram para Rio Pomba. Restando apenas Natália, Jean, Gilcimar, o guia Leonardo e o outro guia Clauber, que também nos acompanhou nesse último dia de aventura.
          Chegamos na portaria às 7 horas com rota traçada para a Pedra do Sino e de cara os termômetros marcando -5 ºC. Saímos em direção à Cachoeira do Aiuruoca via Circuito 5 Lagos já em busca do famoso gelo do Itatiaia. Durante a caminhada foram várias surpresas, para começar foi a primeira trilha crocante que fizemos na vida. A lama estava congelada e quando pisávamos fazia som de gelo se quebrando, uma pequena amostra do que estaria por vir. Mais adiante chegamos ao primeiro lago, que estava congelado. Uma camada de gelo de mais de meio centímetro de espessura cobria todo o lago. Estava ali. A nossa recompensa. Além da paisagem fantástica, com céu aberto e sol brilhando, o toque branco do gelo no verde do capim e no cristalino das águas nos dizia que vale a pena. Passamos também pelos Ovos de Galinha, uma formação rochosa com 2.400 metros de altitude.
              Enfim, chegamos à Pedra do Sino, uma montanha belíssima com 2.670 metros de altitude, sendo a 9° maior do Brasil. A trilha oferece um visual incrível do parque e é esta muito bem sinalizada. A subida é feita em rampões de pedra que desgastam um pouco as pernas, mas nada que prejudique a apreciação do visual maravilhoso.

Pedro do Sino de Itatiaia, a nona maior altitude do país, com 2.670m e um visual belíssimo de todos os principais picos do PNI.












          O Parque Nacional do Itatiaia é o paraíso do montanhismo no Brasil, pois oferece varias opções de passeios sempre com paisagens incríveis, possui quatro das quinze maiores altitudes do país e o clima simula um pouco o que os montanhistas enfrentarão em algumas montanhas da América do Sul. 
              A Expedição Itatiaia 2.0 foi um sucesso do inicio ao fim, pegamos o clima bom todos os dias, o que nos proporcionou um aproveitamento bem maior da expedição. Deixamos nosso agradecimento especial à equipe do Montanhas do Itatiaia, guia Evandro Azevedo, Leonardo e Clauber que com muito carinho e profissionalismo nos acolheu e possibilitou que essa expedição acontecesse. Indicamos a todos e todas que querem conhecer o Itatiaia que façam contato com eles, pois tem um conhecimento vasto da região e estão prontos para qualquer aventura.


quinta-feira, 27 de abril de 2017

Como surgiu o montanhismo no Brasil?




O Montanhismo é para uns um esporte, para outros uma filosofia de vida e ainda para outros um hobbie. Ele é daqueles esportes que ou você ama ou você ainda não experimentou verdadeiramente a sua essência.
O ato de subir montanhas por prazer, pelas paisagens, pela energia boa, pelo desafio de si mesmo é mais antigo do que se pode imaginar, é dado pelos praticantes como um data impossível de se precisar. Nem mesmo no Brasil, onde o montanhismo os registros são relativamente não muito antigos (cerca de quase 2 séculos), não há consenso.

Marco inicial: Quais são os melhores critérios?
O historiador do montanhismo brasileiro Rodrigo Granzotto Perón já contribuiu muito gerando seus bancos de dados sobre as expedições brasileiras na Ásia. Ele faz uma longa reflexão a seguir, com sugestões de critérios que deveriam ser usados na escolha do marco inicial do montanhismo no Brasil.
“Como marco inicial do montanhismo brasileiro, temos que descartar a 1ª subida do Pão de Açúcar (1817), a 1ª ascensão da Pedra do Sino (1841), e a 1ª escalada do Monte Roraima (1884), pois essas conquistas foram feitas por estrangeiros. Eu também não colocaria a 1ª escalada do Pico das Agulhas Negras (1856), mas essa não foi uma ascensão “completa”, já que José Franklin Massena não prosseguiu até o cume verdadeiro, parando em uma antecima (o cume foi tocado pela primeira vez apenas 40 anos depois)”. Perón continua:
Também eu descartaria a 1ª subida do Pico da Bandeira (1859), pois essa foi feita a mando de D. Pedro II, e a expedição foi apenas uma decorrência do imperialismo. Restam, portanto, três datas importantes do montanhismo brasileiro, em minha opinião:

1879: 1ª subida do Marumbi – Olimpo
Essa ascensão foi importante, pois foi “a primeira equipe de montanhistas reunidas no país, tendo como finalidade essencial realizar uma escalada esportiva de montanha” (como registrado por Cris Costa no Atlas do Esporte no Brasil).




1912: 1ª subida do Dedo de Deus
Essa foi a primeira escalada técnica em uma parede realmente difícil e desafiadora, e uma ascensão que realmente teve impacto na comunidade alpinística brasileira.




1953: 1ª escalada brasileira de um pico elevado no exterior – Aconcágua
O cume do Aconcágua foi uma espécie de rito de passagem para o montanhismo nacional, mostrando que os brasileiros podiam fazer bonito no exterior também, e não apenas em solo pátrio.




Perón finaliza sua reflexão com a seguinte afirmação: “Eleger um dos três – ou outro marco qualquer – é puramente arbitrário, e sem qualquer critério científico, sujeito a críticas e a contestações”.

O fato é que a prática do montanhismo vem crescendo muito no Brasil, mas ainda precisa de muito incentivo, apoio e compreensão por parte da sociedade. E a Equipe Montanhismo e Liberdade vem fazendo a sua parte pra que isso aconteça.