Montanhismo e Liberdade

domingo, 16 de abril de 2017

Travessia Prados X Tiradentes [Serra de São José - MG]



E assim começa mais uma aventura, planejada e sonhada por todos!

Partiram de Viçosa Jean e Ernandia em um carro às 4h da madrugada, chegando em Ubá as 5:15h. Feito o contato com o pessoal do outro carro, que eram Lúcia, Jr., Wanderlice e Eduardo, que logo chegaram, então começamos nossa aventura rumo a Tiradentes.

Passando pela serra de Santa Barbara, que serração! E como não ficar deslumbrado com a natureza, essa que encanta e nos proporciona sentimentos escondidos em nós. O céu foi se abrindo pelo caminho, foi ficando azul, e o sol levemente tímido foi se revelando pleno decorrer do percurso.

Chegamos em Tiradentes e nos dirigimos diretamente para o Camping Tiradentes, lugar agradável de grande beleza, de encontro de rios, vários pontos de luz e água encanada, de árvores frutíferas que Ernandia já foi se engraçando com um pé de mexerica, como disse Wanderlice “candongueira”, para quem nunca ouviu como eu, significa fofoqueira traduzido pela própria Wand, que se deliciou e muito, com os gomos das mexericas.

Após Ernandia analisar bem o camping, checando os pontos certos para não haver surpresas de alagamento, fomos montar nossas barracas. Com as barracas montadas partimos para conhecer a cidade. Porém, antes precisávamos recarregar as energias, então paramos em uma padaria para tomar café e comer as delicias locais. Agora sim, podemos ir! 

Com um mapa de agência de viagem, que localizava os atrativos paramos no jardim em frente ao Rio das Mortes e definimos nosso roteiro, que seria visitar a pé as igrejas e demais atrativos na redondeza e depois, de carro, conhecermos a cachoeira do Paulo André. 

A primeira visita foi na igreja de Santo Antônio, construção belíssima com um visual ainda mais belo para a serra de São José desde o jardim da igreja Lucia, Jr, Ernandia, Jean e Cleide, Eduardo e Wand entraram para visitar seu interior pois e uma das três igrejas do pais com 400Kg de ouro em sua ornamentação, Eduardo queria saber dos números no piso de madeira, quando Wand contou que eram enterrados os moradores locais ali, logo um frio atravessou a espinha, e tratou logo de não pisar em nenhum número mais.

Seguindo o passeio fomos descendo as famosas ruas de casamento de pedra, com várias lojas de artesanato de encantar os olhos. Na praça com a estátua de Tiradentes decidimos pegar os carros e conhecer a famosa cachoeira do Paulo André, após informações subimos pela rua da igreja de São Francisco em direção ao bairro onde fomos informados que ficaria a cachoeira, após informações de moradores locais, chegamos ao local onde indica a trilha do carteiro, descemos e continuamos nosso percurso a pé onde avistamos as deslumbrantes borboletas Morfo Azul (Morpho menelaus). Seguimos trilha a cima passamos por duas pontes pequenas de madeiras que eram a referência para a cachoeira, como não vimos voltamos, ao perguntar a uma turista recém entalada fomos avisados que se trata de uma pequena queda d’água. Outra turista que também procurava a cachoeira nos sugeriu que visitássemos a cachoeira que fica na estrada velha sentido São João Del Rei e assim fizemos.

Após visitação fomos informados que na cidade vizinha de Santa Cruz de Minas tinha um restaurante em um posto de gasolina com comida caseira e preço acessível, nos dirigimos para lá pois já era por volta das 12 horas, encontramos e nos deliciamos com uma comida com sabor especial e principalmente mineira.

Após o almoço o grupo se dividiu em quem queria conhecer São João Del Rei e suas belezas e os que queriam ir descansar, o grupo de São João o qual eu estava vou em busca das famosas cocheiras da região, a aventura foi boa, ao perguntar em um restaurante na beira da rodovia, fomos orientados a entrar em uma rua de terra ao lado, ao entrar e seguir o caminho enformado fomos parar em um acampamento de ciganos, onde uma senhora lavava roupa em uma bacia, nos orientou a caminho certo. Voltamos e pegamos a direção da cachoeira dos três poços, porteira fechada e tínhamos que andar uns 40min. por trilha, como o almoço já pesava decidimos voltar para o acampamento para descansar. Passamos na rodoviária contratamos a táxi que nos levaria até Prados.

Já depois do descanso e banho merecido veio a noite com seu céu de estrelas que só quem admira sabe o valor que tem. Sopa quentinha, um bom vinho com os amigos que quiseram ficar e papear, assim que fomos nos recolhendo os companheiros de badalação foram chegando, em então hora de arrumar as cargueiras para a tão esperada travessia.

Acordamos as 5h e Jean e Ernandia já tinham esquentado a água para nossos cappuccinos, café da manhã tomados, barracas desfeitas e nossos táxis chegam pontualmente 6h. Embarcamos ruma a Prados, estrada mostrando o tempo todo a serra que nos esperava, fomos deixados na estrada que dá acesso a entrada do caminho perto de uma estação de água da COPASA. Caminhamos e já avistamos a placa de entrada e paramos para a primeira foto de registro do grupo.









Caminhamos até chegar na casa de construção onde o GPS nos indicou que deveríamos atravessar a cerca de arrame e seguir pelo pasto acima como a rota do Chico trekking nos dizia fazer. Após subir mais alguns metros chegamos na casa de pedra construção perto da pedreira desativada, mais fotos registros e já avistamos um pequeno lago de água, acabamos de subir e podemos avistar Prados, que bela vista, e pausa para o lanche, e avistamos ao longe um grupo de garotos subindo ao longe, acenamos e voltamos para nossa rota, continuamos e chegamos ao primeiro ponto de coleta de água onde enchemos nossas garrafas e tratamos com clorin como recomendado na rota. Caminhamos e chegamos ao primeiro acampamento onde deixamos as cargueiras e fomos até o Cruzeiro, que ali se encontrava o grupo de rapazes avistados antes, eles nos mostraram as cidades localizando São João Del Rei, Tiradentes e Bixinho um distrito, fotos para um registro no cruzeiro eles seguiram seus caminhos, e nós voltamos pegamos nossas cargueiras e continuamos, mais um ponto de água pela frente, passamos e seguimos rumo aos campos rupestres.




Caminhamos pelo precipício que era de uma beleza inexplicável, no meio da mata verde e fechada uma linda Quaresmeira se destacava e a brisa que nos oferecia um frescor revigorante. Por volta das 14h chegamos no segundo camping o que não tinha água, paramos para o almoço e merecido descanso, então ao verificar que tínhamos pouca água decidimos prosseguir e fazer a travessia apenas em um dia, mesmo com todos os equipamentos para acampar.


















Por volta das 16h chegamos na rota que nos levaria ao tumulo do carteiro, onde avistamos três rapazes que vinham da cachoeira e seguiria a trilha do carteiro, após conversas decidimos não ir no tumulo e seguir, ai vem um trepa pedra bem leve e mais uma serra bem puxada pois o cansaço o sol e a falta de água que já começava a faltar, paramos respiramos e continuamos.

Ao avistar Tiradentes e o som da maria fumaça nos enchemos de ânimo e acabamos de descer a serra, mais um ponto de coleta de água essa era especial o último como disse Ernandia, e com um brinde a mais, um mergulho de uma rã jovem, garrafas enchidas e fomos andando, pois, o sol já se despedia. Mas um pouco e o som da cachoeira nos fazia lembrar que o percurso estava no fim, alguns turistas acampando, outros na trilha de banho tomado. E ao escurecer nossas lanternas foram acionadas e um cheirinho de comida surgia no meio do mato!







E as 18:30 mais ou menos vimos as luzes da cidade o barulho de carros na estrada nos avisava que já estava acabando. Chegamos chamamos os táxis e mais uma vez registramos nossa vitória. Chegamos ao camping Tiradentes, tomamos um belo e maravilhoso banho e fomos nos deliciar uma pizza na cantina da Sandra. Voltamos ao acampamento repousamos e as 6h já estamos de pé para voltarmos para nossas casas e pegar o almoço de páscoa com nossos familiares. Em Ubá nos despedimos de Ernandia e Jean que seguiram para Viçosa, e lá conseguiram finalmente tomar o tão sonhado açaí da vitória.



terça-feira, 28 de fevereiro de 2017

M&L na Travessia Petrópolis x Teresópolis [Serra dos Órgãos - RJ]

          
             Entre os dias 24 a 26 de fevereiro, a Equipe Montanhismo e Liberdade chega à uma das mais famosas do Brasil e tão sonhada travessia Petro x Terê. A travessia fica dentro do Parque Nacional da Serra dos Órgãos (PARNASO) e para realizá-la é necessário comprar os ingressos com antecedência.
Veja um pouquinho de como foi essa conquista!



Enfim, chegou o grande dia e o sonho já estava sendo realizado, saímos de casa de madrugada, com destino a Teresópolis onde contrataríamos um táxi que nos levaria para a portaria do Parque em Petrópolis. Chegando fomos resolver todas as burocracias de ingressos, comprovantes de pagamentos e termos de responsabilidade. Cada visitante recebe uma pulseira de identificação que poderia ser retirada do braço somente ao final da travessia. Ela identifica qual trekking estamos fazendo.

1º Dia - Portaria x Açu (XX Km)

Fomos liberados! Começamos a subida às 13h, subida íngreme, mas com trilha bem sinalizada. Depois de algum tempo de caminhada deparamos com uma cobra atravessando a trilha. Era uma linda e grande Jararaca que ao nos ver saiu de fininho e tomou seu rumo. Antes disso, corremos para fotografá-la pra poder mostrar para vocês!

A jararaca, uma das serpentes venenosas mais conhecidas do Brasil, é uma espécie típica de Mata Atlântica que possui hábitos noturnos e terrícolas.

Alguns morrinhos, vários passos dados e chegamos no chapadão, trecho tranquilo, com belas paisagens. O Sol já se retirava quando avistamos o Castelo do Açu, mas isso não nos impediu de fazer algumas belas fotos e de apreciá-lo. Ao chegar no abrigo, fizemos o check in e fomos montar as barracas na área de camping que fica um pouco acima do abrigo. Tomar um banho e preparar a janta. Nosso cardápio do dia? "Sopa" e refresco, prato ideal para recarregar as energias na noite fria.
No dia seguinte, acordamos com o tempo tomado pela neblina e subir o mirante era impossível. Fomos tomar o nosso café. Durante o preparo conhecemos dois mineirinhos de Valadares, o Daniel e o Henrique, gente finíssimas que pediram permissão para caminhar conosco o restante da trilha. Acabaram se tornando membros permanentes da equipe.






















2º Dia - Açu x Pedra do Sino x Portaria (XXY Km)

Todos preparados, hora de botar o pé na trilha rumo ao Abrigo 4, destino do segundo dia. Entre nós e ele estavam, além da Pedra do Sino, cinco vales. Era um sobe desce bastante exigente, mas quando se trata de montanha estamos sempre preparados.
O trajeto do segundo dia no sentido Petrópolís-Teresópolis traz três bons desafios, o Elevador, o Mergulho e o Cavalinho. São trechos com passadas um pouco técnicas e que dependendo do preparo do grupo exigem o auxílio de uma corda. 
Estávamos ansiosos, pois atravessados esses pontos começaria a se revelar a paisagem dos picos que dão nome à serra. Pontiagudos, e dispostos paralelamente, o Dedo de Deus, o Dedo de Nossa Senhora, o Cabeça de Peixe, o Santo Antônio, o São João, o Verruga do Frade, o Agulha do Diabo e o Garrafão parecem mesmo os majestosos tubos de um órgão, instrumento musical.

Órgão de Tubos Mosteiro de São Bento - Vinhedo.
Imagem: reprodução.
Vista parcial da cadeia de montanhas da Serra dos Orgãos.
Imagem: reprodução.






















O Elevador é uma escada de grampo de ferro colocada para dar segurança nos 50 m de subida vertical na pedra. Um pouco mais de caminhada e chegamos no "mergulho", que é um trecho de encosta que demanda muita atenção, como estava com muita neblina, usamos uma corda para descer com segurança. Descida concluída com sucesso, caminhamos até o "cavalinho", uma subida íngreme com abismo à esquerda, considerado o ponto de maior perigo na travessia. O primeiro a subir foi o Raul, que fixou a corda no grampo e foi puxando as nossas cargueiras para cima. Neste trecho a chuva não deu trégua, não conseguimos avistar nada.

Subida no Elevador, 50m bastante íngremes. Um gostoso desafio!

Detalhe dos grampos do Elevador.
Descida no Mergulho, ponto escorregadio em dias chuvosos.





















Superados os desafios do trajeto do segundo dia, seguimos caminhada rumo à Pedra do Sino. Após uma parada na sua base, decidimos subi-la mesmo com uma densa neblina. Não vimos nada, absolutamente nada da paisagem. Tudo branco, mas ainda assim comemoramos a conquista.
Chegamos no Abrigo 4 com chuva, eram 14h. Ao perguntar o guarda-parque qual o tempo de caminhada do dia seguinte, fomos surpreendidos com a resposta de que seriam somente mais 4 horas. Nos reunimos e decidimos que era melhor seguirmos a trilha e acampar no final da travessia, para no dia seguinte pegarmos a estrada descansados.
Nas últimas horas de caminhada, foi só descida, o que forçou bem os joelhos que reclamaram no final. Hora de botar o corpo no piloto automático, aí já sabe neh, é cada pedra que a gente tropeça. Mas pra baixo todo santo ajuda. 
O caminho é bem demarcado, nem precisa de GPS, é quase uma estrada. Além do mais é lindo, bem aberto sob a copa de uma mata fechada e cheio de cachoeiras e lagos à sua margem. A trilha termina quando se atravessa uma porteira, ao lado do último estacionamento da parte alta do parque pela portaria de Teresópolis, daí é só descer por alguns km até o camping.
Chegamos no camping, fomos montar as barracas, tomar banho, preparar o rango e descansar. No dia seguinte, antes do retorno, ainda deu tempo de conhecer a sede Teresópolis, comprar lembrancinhas e dar um mergulho na piscina meio natural, meio artificial construída ao lado da sede.








sábado, 21 de janeiro de 2017

Expedição de reconhecimento à Serra do Funil - Rio Preto - MG





           Nos dias 14 e 15 do mês de janeiro mais uma vez a Equipe Montanhismo e Liberdade se junta ao G.E.R.U (Grupo de Esportes Radicais de Ubá) para conquistar uma montanha.
          Dessa vez, nossa aventura aconteceu na Serra do Funil, localizada no município de Rio Preto a 85 Km da cidade de Juiz de Fora. Esse trekking é marcado por ótimas cachoeiras de águas escuras, cavernas e grutas de quartzo sensacionais.


















        Nosso comboio foi formado por quatro carros – um saindo de Viçosa, dois de Ubá e outro de Juiz de Fora. Nosso carro saiu de Viçosa às 4:30h da madruga, às 5:30h encontramos com os broders de Ubá e partimos para JF com o intuito de encontrar o último elemento da trupe, o JF, nosso guia da vez.

        Por volta de 9h da manhã nossa equipe chegou ao pé da serra e após um breve briefing iniciamos uma caminhada suave e tranquila. Cerca de 50 min depois chegamos a uma linda gruta e em seguida a uma bela cachoeira de água gelada e escura, a chamada água coca cola. 
        Depois de uns bons mergulhos e inúmeras fotos, voltamos pra trilha para desbravar as várias grutas que possuem ao longo da serra. A sensação de estar dentro de uma gruta é inesquecível, é muito interessante ver águas brotando de dentro de paredões, rios sumindo no meio do mato e reaparecendo quilômetros abaixo, a natureza sempre encontra sua forma de nos surpreender a cada instante.
         Ao final da tarde, voltamos para o mesmo local de saída e de lá fomos para o Camping Pé de Serra, cujo dono é o senhor Gabriel. É um camping super bem estruturado com banho quente e refeição deliciosa.





Na manhã de domingo, nossa meta era subir novamente a serra porém por outro lado e conhecer duas cachoeiras, nosso principal objetivo era fazer um cascading (rapel em cacheira) na Cachoeira Vermelha e missão dada é missão cumprida, foi isso que fizemos, foi uma ótima descida, além disso, a cachoeira em si, é maravilhosa, mais uma vez a água é escura e gelada, todavia, a sensação de estar nela é inexplicável.
























       Descendo a serra mais um pouco chegamos a outra cachoeira, a cachoeira, ela é menor mas tão boa quanto a anterior...aaahhh....essa cachu dava pra dar alguns bons mergulhos.






Na descida de volta ao camping, parte da equipe, ficou pra trás e pegou uma bela chuva de verão viu, mas a chuva foi boa, valeu a pena cada gota, ajudou a espantar o calor que estava grande.

Por fim, depois do almoço, voltamos para casa com a sensação de dever cumprido e com a alma renovada. Estar em contato com a natureza na sua plenitude não tem preço, não tem comparação, só vendo, só vivendo... bora???