Nos dias 14 e 15 do mês de janeiro mais uma vez a Equipe Montanhismo e Liberdade se junta ao G.E.R.U (Grupo de Esportes Radicais de Ubá) para conquistar uma montanha. Dessa
vez, nossa aventura aconteceu na Serra do Funil, localizada no município de Rio
Preto a 85 Km da cidade de Juiz de Fora. Esse trekking é marcado por
ótimas cachoeiras de águas escuras, cavernas e grutas de quartzo sensacionais.
Nosso
comboio foi formado por quatro carros – um saindo de Viçosa, dois de Ubá e outro de Juiz de Fora. Nosso carro saiu de Viçosa às 4:30h da madruga, às 5:30h encontramos com os broders de Ubá e partimos para JF com o intuito de encontrar o
último elemento da trupe, o JF, nosso
guia da vez.
Por
volta de 9h da manhã nossa equipe chegou ao pé da serra e após um breve briefing iniciamos uma caminhada suave e
tranquila. Cerca de 50 min depois chegamos a uma linda gruta e em seguida
a uma bela cachoeira de água gelada e escura, a chamada água coca cola. Depois de uns bons mergulhos e inúmeras fotos, voltamos pra trilha
para desbravar as várias grutas que possuem ao longo da serra. A sensação
de estar dentro de uma gruta é inesquecível, é muito interessante ver águas brotando
de dentro de paredões, rios sumindo no meio do mato e reaparecendo quilômetros
abaixo, a natureza sempre encontra sua forma de nos surpreender a cada
instante. Ao
final da tarde, voltamos para o mesmo local de saída e de lá fomos para o
Camping Pé de Serra, cujo dono é o senhor Gabriel. É um camping super bem
estruturado com banho quente e refeição deliciosa.
Na
manhã de domingo, nossa meta era subir novamente a serra porém por outro lado e
conhecer duas cachoeiras, nosso principal objetivo era fazer um cascading (rapel em cacheira) na Cachoeira Vermelha e missão dada é missão cumprida, foi isso que fizemos, foi uma
ótima descida, além disso, a cachoeira em si, é maravilhosa, mais uma vez a
água é escura e gelada, todavia, a sensação de estar nela é inexplicável.
Descendo
a serra mais um pouco chegamos a outra cachoeira, a cachoeira, ela é menor
mas tão boa quanto a anterior...aaahhh....essa cachu dava pra dar alguns bons
mergulhos.
Na
descida de volta ao camping, parte da equipe, ficou pra trás e pegou uma bela chuva de verão viu, mas a
chuva foi boa, valeu a pena cada gota, ajudou a espantar o calor que estava
grande.
Por
fim, depois do almoço, voltamos para casa com a sensação de dever cumprido e
com a alma renovada. Estar
em contato com a natureza na sua plenitude não tem preço, não tem comparação,
só vendo, só vivendo... bora???
Não acrescente dias a sua vida, mas vida aos seus dias - Harry Benjamin
Então, chegou o grande dia da
equipe pegar a estrada novamente. Nosso destino é a travessia mais clássica da
região da Serra do Cipó, a tão sonhada Travessia Lapinha x Tabuleiro. Lapinha
da Serra, como é conhecida fica no distrito de Santana do
Riacho, já Tabuleiro fica no distrito de Conceição
do Mato Dentro, ambos em Minas.
Ah, Minas Gerais, já sabemos que
tu és bela!… mas fomos surpreendidos novamente ao conhecer mais uma parte da
Cordilheira Brasileira, um pedacinho da Serra do Espinhaço.
E é isso mesmo. A Serra do
Espinhaço, um lugar simplesmente i-n-c-r-í-v-e-l! É uma cadeia de montanhas que se estende em
uma linha Norte-Sul entre os estados de Minas Gerais e Bahia, compreendendo,
dentre outros trechos, as conhecidas Serra do Cipó e Chapada Diamantina – só de
saber dessa parte você já começa a criar certa expectativa sobre a beleza do
lugar, não é mesmo!?
Pois bem, de mochila pronta
largamos nossas casas, percorremos alguns quilômetros de carro até Lapinha.
Trajeto de carro de Viçosa à Lapinha da Serra.
Chegamos a Lapinha já era noite,
fomos bem acolhidos na praça por uma rodinha de amigos que também nos indicaram o
camping (Camping Raízes), local onde passaríamos a noite. Com acampamento montado, fomos jantar...
Amanheceu! Da porta de nossas
barracas, entre árvores avistamos o magnífico Pico da Lapinha, e logo
pensamos, daqui a pouco chegaremos ao cume!
Depois de um belo café da manhã e de
mochilas prontas, iniciamos a nossa travessia, tendo como guia o Garmin etrex 30,
o GPS.
GPS Garmin etrex 30, muito preciso e resistente a água. Indicado.
Deixamos Lapinha... Entre trilhas
de “zigue-zagues” uma parada e outra apreciávamos toda aquela beleza que íamos
deixando para trás a cada passo. De repente, estávamos no cume do Pico da
Lapinha, com 1.580 m de altitude, com vista privilegiada para a Represa da Usina
Coronel Américo
Teixeira, mais conhecida como represa da Lapinha, que é de
tirar o fôlego.
Da Cruz no cume do Pico da Lapinha, admire um dos mais belos visuais da sua vida!
Após alguns minutos de contemplação e hidratação, partimos, pois ainda havia muito chão a ser percorrido. Em meio à trilha paramos para abastecer os cantis e nos deparamos com uma cobra tomando, digamos, um "banho de sol".
De pé na trilha, de baixo de sol
forte, percorremos por um campo aberto com um belíssimo vale. Com alguns quilômetros
percorridos em meio a afloramentos rochosos avistamos o Pico do Breu, com 1.687 m
de altitude. Ele é o ponto mais alto da travessia. Fizemos uma rápida parada
bem a sua frente para lanchar e observar o “zigue-zague” que iríamos fazer até
a crista que nos levaria para o topo coberto por campos rupestres.
Fizemos uma
pequena parada no topo do Breu, começamos a deixar o cume mais adiante quando o
declive se acentua descendo em campo aberto e sem trilha definida. É uma
descida desgastante e bastante íngreme, mais todo esforço vale a pena, ainda
mais quando se avista a Prainha.
Toda a diversidade do ecossistema
local é encontrada durante o percurso com seus campos rupestres, sempre-vivas gigantes,
o típico cerrado mineiro e rios de água escura.
Prainha, um oásis em meio a um ambiente seco e desértico.
A partir da Prainha a trilha
começa com uma subida rápida e tranquila até cruzar algumas cercas de arame e
porteiras. Ao observar o relógio perto da casa da Dona Ana Benta, constatamos
que tínhamos tempo suficiente para chegar à casa de Dona Maria, ganharíamos
mais tempo para curtir a Cachoeira do Tabuleiro no dia seguinte. E assim, continuamos no rala bota.
Depois de muitas passadas,
subidas e descidas, o tempo fechou rapidamente, uma tempestade se aproximando,
não havia onde nos abrigarmos, era um campo aberto, o tempo foi só de tirar o
sobre-teto da barraca e formar uma rodinha e se cobrir. Montanhismo é isto, nem
tudo são flores, perrengue faz parte, a chuva veio acompanhada por granizo, durante
uns 30 min. E o perrengue não parou por ai não, descemos aproximadamente 1 km,
eis que surge um rio, antes um córrego, mas se encheu devido a tempestade. Era
impossível atravessar. Estava enchendo muito rápido. Tivemos que agir rápido.
Formação de tromba d'água na Serra do Breu.
Corremos
rio acima até achar o ponto que ele se divide para atravessar, fizemos uma
ponte com a própria vegetação e atravessamos três rios já no escuro. Mais
alguns quilômetros e chegamos à casa da Dona Maria por volta das 21h e 15 min. Fomos
montar o acampamento e preparar a janta.
Pois fique tranquilo, a Serra do
Espinhaço faz por merecer. Dia seguinte após a chuva, o sol nasce lindo.
O 2° dia é o dia mais tranquilo, fizemos o
ataque ao topo da Cachoeira do Tabuleiro. A trilha segue subindo durante uns 30
minutos e depois começa uma descida constante até chegar ao rio da Cachoeira do
Tabuleiro. Daí é só seguir o fluxo da água beirando o rio, dentro
da sua calha, até chegar ao topo da Cachoeira do Tabuleiro.
Mesclada pela vegetação, a cachoeira
se destaca pelos seus belíssimos morros, rochedos, cânions, vales e cachoeiras.
O visual é magnífico e a energia, a sensação de estar ali é inexplicável. É
possível tomar banho nos poços próximo a sua cabeceira e apreciar outros poços
e quedas d’água, em meio a jardins naturais com orquídeas e bromélias gigantes.
Visão da cabeceira da Cachoeira do Tabuleiro, 273m de pura queda livre.
De volta para o acampamento, é possível jantar, isso mesmo, a Dona Maria e família servem uma maravilhosa janta feita em fogão a lenha.
O 3° e último dia, recomendamos
acordar o mais cedo possível, assim é possível aproveitar mais a Cachoeira do
Tabuleiro, além de não sofrer com o sol escaldante na trilha. E foi o que
fizemos, iniciamos a descida às 4h e 30min, trilha bem tranquila apesar de
alguns trechos com pedra solta. Caminhar sob a luz das estrelas não tem preço,
sensação única.
Então amanheceu e nessa hora
estávamos chegando ao mirante da cachoeira, visão privilegiada, momento único e
marcante. A Serra nos brindou com esse maravilhoso presente, pegar o nascer do
sol de frente para a maior cachoeira de Minas.
Chegando à entrada do Parque do Tabuleiro, deixamos
nossas cargueiras e fomos para a cachoeira, uma caminhada por trilha até o rio
e seguida de um trepa-pedra rio acima até o poço. Caminhada de aproximadamente 1h e 30min.
Localizada no Parque Natural Municipal
do Tabuleiro, no Parque Estadual da Serra Geral do Intendente, no Distrito
de Tabuleiro MG à 19km da sede Conceição do Mato Dentro, a cachoeira é a mais
alta de Minas Gerais e a terceira do Brasil. São 273m de queda livre, o equivalente
a um prédio de 91 andares, diante de um paredão fantástico e multicolorido, de
beleza monumental descem as águas frias e de tonalidade caramelo, daí, a
formação de um enorme poço para banho de cerca de 20m de profundidade e é rodeado
por blocos de pedras.
Aventure-se em um dos mais lindos
cenários de Minas, atravessando paisagens incríveis e isoladas da civilização.
Realize a travessia Lapinha x Tabuleiro, caminhada de 3 dias (42km) que nos
leva a cachoeira mais alta de Minas Gerais e a terceira do Brasil.
Assista o vídeo da travessia e partilhe mais um pouquinho dessa emoção!
A visita ao parque Nacional do Caparaó, ao qual subimos a
partir do município mineiro de Alto Caparaó, começou em 22 de julho de 2016,
acompanhados de amigos de diversas cidades. A partir do ponto denominado Tronqueira,
até onde é possível chegar de carro, subimos 3,7 km, de muita pedra e suor, a
pé até nosso acampamento: Terreirão.
O terreirão foi nosso descanso por poucas horas, visto
que mal chegamos e montamos acampamento, já era chegada a hora de subirmos os
3,2 km que nos dividiam do 3° mais alto pico do país: o Pico da Bandeira.
Deixamos para trás o acampamento às 03:40 horas, e dali aproximadamente duas
horas havíamos alcançado o cume. A sensação é indescritível! Impossível conter
a emoção diante da alvorada vista de um lugar tão abençoado!
Após presenciarmos o nascer do sol, seguimos rumo a
outros três dos dez mais altos picos do Brasil: o Calçado, o Calçado-Mirim e o
do Cristal.
Para chegarmos a estes três, nos embrenhamos pela mesma trilha que
leva a galera que parte dos acampamentos situados do lado capixaba do parque ao
Pico da Bandeira.
Levamos e deixamos um pouco do que há de bom nos lugares
e em nós mesmos quando pisamos em cada uma das pedras que compõem o lindo
cenário do parque. O espírito da montanha nos contagiou!
O ponto que serviu de cenário a comemorações dignas da
construção de um dos mais belos totens,
modéstia à parte, em simbologia ao respeito àquela natureza exuberante e em
agradecimento à força maior que emana toda a boa energia presente no parque,
foi o cume do Pico do Cristal: o 7° mais alto ponto do país, segundo o IBGE.
A despeito de tombos em meio à mata fechada quando do
retorno ao acampamento, completando a volta de 360°, e das pedras que
enfrentamos (no caminho e na mochila do calouro), a aventura foi digna do
esforço que fizemos para completá-la.
Sobram as saudades dos belíssimos cursos d’água, das montanhas, das pedras (não daquelas escondidas na mochila), dos amigos, do
espírito da montanha, e principalmente, nossos agradecimentos!
“Montanhista por essência, livre por natureza!”
" As melhores coisas da vida ficam ainda melhores quando compartilhadas"