Montanhismo e Liberdade

sábado, 2 de janeiro de 2016

Parque Nacional do Itatiaia

"Montanhista por essência, livre por natureza"


O Parque Nacional do Itatiaia (PNI) foi o primeiro parque nacional criado no Brasil. A sua fundação data de junho de 1937. Situado na Serra da Mantiqueira, o parque abrange os municípios de Itatiaia e Resende, no estado do Rio de Janeiro, e Bocaina de Minas e Itamonte, em Minas Gerais, onde ficam aproximadamente 60% de seu território. Apresenta um relevo caracterizado por montanhas e elevações rochosas, com altitude variando de 540 a 2.791,55 m, no seu ponto culminante, o Pico das Agulhas Negras.

Nossa paixão pelo montanhismo nos cobrava a ascensão ao cume do Morro do Couto 2.680 metros, Prateleiras 2.540 metros e Agulhas Negras 2.791 metros de altitude.

Deu certo! Minerada reunida.

Viçosa 03 integrantes, Ubá 05, Rio Pomba 01, Belo Horizonte 01.



Após alguns dias de planejamento saímos de Viçosa no dia 26 de Dezembro 2015, com destino à Ubá, onde encontramos boa parte da galera na maior animação. De Ubá saímos para encontrar mais um em Rio Pomba, o Raul. Galera quase completa, só faltava outra guerreira, a Ana, que saiu de Belo Horizonte para se juntar a nós em Juiz de Fora. Enfim galera reunida e pronta para a viagem, próximo destino Volta Redonda- RJ, onde pernoitaríamos na casa de um amigo.


Dia 27, levantamos cedo, deixamos Volta Redonda para trás ainda com as luzes da cidade acessas, seguimos com destino PNI, mas antes de pegar a estrada de terra de acesso ao parque paramos numa lojinha de comidas tipicamente mineiras, Bar do Miguelzinho, com queijos, pamonhas, pão com queijo, pastel, cachaças e muitas outras culinárias mineiras.


De barriga cheia seguimos à direita numa estrada de terra até a portaria do parque. Finalmente chegamos na portaria onde encontramos o nosso guia para fazermos o preenchimento da papelada e pagamento das taxas com direito a três dias de acesso. Logo partimos com os carros por mais 100 metros à frente até o estacionamento, fizemos os últimos ajustes nas mochilas para seguir rumo ao cume do Morro do Couto.



1º Dia - Morro do Couto


Decidimos pelo Morro do Couto, que não exige escalada e está em oitavo na lista dos mais altos do Brasil com seus 2.680 metros de altitude, pouco atrás do Pico das Agulhas Negras, também localizado no parque.


A trilha é linda e com nível de dificuldade moderado que dá vontade de subir em todas as pedras pelo caminho, pois em cada uma delas é possível avistar um novo horizonte. Logo a trilha começa a ficar um pouco íngreme e surgem algumas pedras o que nos obrigam a usar as mãos. E pra descer, é como sempre digo, na descida todo santo ajuda haha. Ao longo da caminhada é possível observar parte do Vale do Paraíba, a Serra Fina e parte da área alta do parque.




A conquista do cume do Couto é feita através de um trecho de "escalaminhada" sem a necessidade de equipamento de segurança.





Do alto é possível ter um belo visual de 360º. No topo fizemos um lanchinho, tiramos fotos e apreciamos a natureza que a cada segundo nos presenteava com um cenário diferente, seja com o tempo nublado, neblina e sol. Na descida conhecemos o Sapinho "Flamenguinho", uma espécie endêmica e também símbolo do Parque.








Primeiro desafio cumprido! Hora de ir para o camping, mas antes demos uma passadinha para conhecer a Pedra do Camelo, local que fica ao lado da estrada de acesso ao Parque e com vias de rapel e escaladas.


Aproveitamos e fizemos um rapelzinho de aproximadamente 30m, logo em seguida partimos para a Pousada dos Lírios. O acesso à pousada é difícil, estrada de terra cheia de curvas e buracos, mas compensada pela visão da mata que a cerca com uma grande presença de araucárias (árvore de característica de ambiente frio). A pousada é linda, mas a área de camping é encharcada devido às condições climáticas da região e também cercada por araucárias, o que torna o ambiente magnífico.















2º Dia - Cume das Prateleiras

De barriga cheia partimos pra mais uma trilha e um dos nossos carros não conseguiu subir, precisou de uma força braçal, porém tudo era motivo de gargalhada, humor era o nosso lema. Seguimos!!!


As Prateleiras é um dos principais atrativos do PNI - Parque Nacional de Itatiaia, sem dúvida, um dos mais bonitos. Durante a caminhada, passamos pela sutil nascente do rio Campo Belo, que alimenta muitas das quedas d´água da parte baixa do parque.



Logo chegamos ao abrigo Rebouças, ponto onde se iniciam as trilhas para Agulhas Negras, Prateleiras, Cachoeira de Aiuruoca e Travessia da Serra Negra. Enchemos as garrafas de água, tomamos um fôlego e já era hora de por o pé na trilha.


Embora tenhamos ficado fascinados com tanta beleza natural não poderíamos deixar de prestar atenção na trilha visto que esconde alguns perigos... assim o jeito é continuar no ritmo pois ainda falta bastante para o nosso objetivo.


Algumas paradas para abastecimento de água e para apreciar a paisagem apesar da pouca visibilidade por causa neblina. Avistar o Pico pela primeira vez sem dúvida é de tirar o fôlego! Imaginar que em alguns minutos estaríamos lá no topo assinando o livro de chegada era sensacional.




Chegamos à base das Prateleiras, para iniciar a “escalaminhada” até o cume. Antes de começar a escalaminhada observamos o tempo, pois havia neblina, enquanto isso ficamos mirando o topo daquela montanha apesar da pouca visibilidade. E a vontade de estar lá em cima era grande.


E lá vamos nós rumo ao topo!!! Com muita motivação começamos a jornada em um terreno bem pedregoso e cheio de trepapedra. Haviam momentos que nos perguntávamos: como essas pedras foram parar aqui?

A neblina estava cada vez mais intensa e acabara deixando as pedras escorregadias o que dificultou o acesso, mas no final das contas aos pouquinhos, mesmo em meio às dificuldades das pedras um pouco molhadas conseguimos passar.


Enquanto o guia lançava as cordas em alguns lances mais difíceis, nós aproveitávamos estes minutos para descanso, na verdade era uma pequena pausa para o próximo passo... e estaríamos quase lá...


E finalmente chegamos ao nosso destino final, O TOPO!!!


E lá estava uma de nossas recompensas, O LIVRO!!! Assinamos o livro, deixamos ali uma frase, um sinal de missão comprida, um desejo realizado, tudo muito rápido, pois a neblina tomava conta do cenário e aumentava o grau de dificuldade para a descida em pedras escorregadias.





3º Dia - Pico das Agulhas Negras


O Pico das Agulhas Negras é a principal elevação no planalto, seu pico atinge 2.791,55 m, o ponto mais alto do Parque e quinto mais alto do país segundo dados do IBGE (2011). O visitante tem a opção de caminhar apenas até a base ou seguir até o cume.

Novamente de barriga cheia partimos e, como no dia anterior, um dos nossos carros não conseguiu subir e precisou de uma força braçal.


Começamos a trilha com uma neblina bem forte e até então imaginávamos que chegaríamos somente até a base do Pico das Agulhas Negras, mas no fundo tínhamos um sonho e uma sensação que conseguiríamos chegar ao topo. A cada passo aquela sensação de estar mais próximo do cume, apesar das dificuldades por causa das pedras escorregadias. Enfim chegamos na base do Pico.






Uma parte da equipe teve que retornar devido ao grau de dificuldade da escalaminhada ao cume. Após a subida pela fenda, a trilha foi se aproximando do cume pela via Pontão, passando por alguns trechos que foram vencidos com o auxílio de cordas fixadas nos grampos para garantir a segurança.


A conquista do topo do Pico das Agulhas Negras (chegada ao cume pela via Pontão é também a chegada ao último ponto sem equipamentos de segurança a partir dali é necessário o uso de técnicas de escalada, isto porque o cume do Itatiaiaçu, onde fica o livro de registro está separado por uma fenda que exige um rapel e em seguida uma escalada para o acesso). Foi memorável para todos, pois pensávamos que não conseguiríamos chegar ao topo do Itatiaiaçu devido à intensa neblina e seria muito perigoso tentar escalar.



A partir do topo é possível ter uma visão panorâmica da região, o que deixou a aventura ainda mais emocionante e em meio a um cenário não muito convencional com tanta neblina e vento.


A sensação ao chegar foi de dever cumprido e uma sensação de liberdade, parece que esquecemos todos os problemas. Com certeza valeu muito a pena!
Apesar de não ter registrado a nossa presença no livro de cume, era hora de confraternizar e fazer algumas fotos clássicas.















A descida foi ainda mais complicada visto que a chuva começou a ficar mais forte o que deixou a aventura com mais adrenalina!!!


E também nos despedimos do PNI com um gostinho de quero mais afirmando que com certeza voltaremos em breve!!! 

Pernoitamos no camping para o dia seguinte retornarmos para casa.
A volta foi muito divertida, a medida que o PNI ia ficando para trás, a saudade do clima frio aumentava. 


Venha você também para a montanha!!!

terça-feira, 28 de julho de 2015

Estrada Real - Caminho dos Diamantes


O Caminho dos Diamantes foi estipulado pela Coroa Portuguesa em meados dos anos 1729, quando as pedras preciosas descobertas na região de Diamantina ganharam destaque. A intenção da coroa era controlar o trânsito de quem partia da sede da capitania (Vila Rica - hoje Ouro Preto), para a nova região diamantífera (Arraial do Tijuco - atual Diamantina).

O Caminho dos Diamantes totalizam aproximados 395 km, onde o turista terá como atrativos história, cultura, natureza e aventura. Da distância total, aproximadamente 80 quilômetros são trechos de rodovias asfaltadas. O restante são estradas de terra sinalizadas e em boas condições.
Click nas foto para ampliar




Enfim havia chegado o grande dia! O dia da nossa partida!
Começamos a  realizar o nosso sonho de percorrer o Caminho dos Diamantes, o caminho que provavelmente  havia sido o início de tudo.
Uma viagem  de estrada de terra com algumas partes  asfaltada,  com lindas paisagens, matas por todos os lados e placas indicando cachoeiras, rios, parques e mirantes.  Aos poucos irmos desfrutando  de tudo. 
Algumas de nossas fotos  ao redor da estrada Real!





































Será que vai dar certo!?
 Andávamos  bem devagar, curtindo cada pedaço daquela estrada que estava respondendo a nossos anseios, e a cada km percorrido era fechado com chave de ouro.
Melhor ainda é que o Marco da Estrada Real aparecia em cada encruzilhada mostrando o caminho deveríamos seguir.
Cada dia acampávamos em um lugar diferente, assim conhecemos  as belezas   naturais e  as cidades que fazem parte  do circuito Estrada Real. 




 





















O nosso maior desejo era chega a Milho Verde, distrito de Serro, Minas Gerais.  Milho Verde está localizado bem próximo à nascente do rio Jequitinhonha. Esse lugarejo rústico está a 1.120 metros do nível do mar e apresenta uma bela paisagem, com ampla vista de vales, serras e do Pico do Itambé.
Um dos mais conhecidos cartões postais de Milho Verde é Igreja Nossa Senhora do Rosário, construída no ponto mais alto da cidade, em uma colina onde se avista um horizonte cercado de montanhas. 




Daí partimos para Diamantina nosso destino final, conhecemos um pouco da cidade. 
Mais o que gostávamos de fazer mesmo era ir para o mato, tomar banho de rio e cachoeiras.
Desfrutamos das belezas do Parque Estadual  do Biribiri, Gruta do Salitre, Conselheiro  Mata .
























Sem pressa. Aprecie os detalhes!!! 

quinta-feira, 4 de junho de 2015

Como cuidar da barraca




A barraca é um dos xodós dos trekkers, montanhistas e afins. Independente da marca ou do tipo da sua barraca você precisará cuidar dela após cada viagem, e descuidar disso pode lhe trazer muitos problemas, e inclusive prejuízos. Algumas dicas de  cuidados básicos que devemos ter com a nossa “casa” portátil.

1. Verifique as instruções e monte sua barraca logo que possível

Alguns acidentes, quebras de varetas ou mesmo rasgos, acontecem por que os usuários que não conhecem a barraca erram em algum ponto na hora da montagem, principalmente se for a primeira vez, situação típica onde a pessoa compra a barraca e vai pra trip sem nem saber como monta-la ou mesmo se todos os itens vieram corretamente na embalagem…
Para evitar descobrir uma coisa dessas no meio da montanha é melhor perder um tempo e montar a sua barraca nova antes da viagem.

2. Seque e limpe a sua barraca após o uso

Mofo é um problema chato e que estraga a impermeabilização do tecido da barraca. É muito importante que a barraca esteja limpa e seca ao ser guardada. 
Ao chegar em casa monte a barraca e limpe-a. Se ela estiver muito molhada vale a pena seca-la com um pano ou mesmo deixa-la secando montada. Cuidado para não deixar a barraca exposta ao sol por muito tempo. Outro detalhe é remova a areia, terra ou pedrinhas de dentro dela. Para remover outras sujeiras use apenas água e um pano, nada de escovas ou coisas do gênero.

3. Use um “footprint”

Mas hein? Foot o que? Footprint é o nome que se dá pra aquela lona que colocamos embaixo da barraca, na verdade, algumas barracas já vem com ela de fábrica, mas isso em geral só acontece nos modelos importados. Aí cabe ao usuário improvisar e usar lonas de bagageiro (aquelas azuis e amarelas que encontramos no supermercado) ou mesmo plásticos mais grossos.
A função do footprint é proteger o fundo da barraca de alguma abrasão por atrito com o solo ou pequenas pedrinhas, bem como aumentar a proteção contra a umidade do terreno. Se possível use sempre. E ao escolher o local para montar a barraca verifique se não existem galhos ou pedras que possam furar o fundo ou mesmo incomodar a noite. Um detalhe importante, a lona usada embaixo da barraca deve ficar exatamente embaixo do quarto, sem sobras para fora. Se você deixar a lona sobrando pra fora e chover mais forte a água irá escorrer pela lona e ficará entre ela e o fundo da barraca…

 4.Cordeletes 

Ao montar sua barraca sem fixa-la direito, usando os espeques e os cordeletes fornecidos junto com ela, você corre o risco de que uma ventania ou chuva mais forte causem danos ou inundem a sua barraca. Em locais expostos sempre fixe os cordeletes da barraca. Esses cordeletes ajudam a estabilizar e proteger a barraca contra o vento e evitam em muitos casos a quebra das varetas da estrutura durante uma ventania.

5. Ao montar a sua barraca escolha um bom lugar

Ao escolher o local para montar a barraca procure pontos protegidos do vento forte e longe de árvores onde galhos ou frutas podem vir a cair sobre a barraca. A mesma coisa vale para o sol, deixar a barraca exposta ao sol forte por muitos dias danifica o tecido, as fitas de selagem e as varetas de fibra de vidro. Neste caso escolha um local abrigado do sol forte ou se possível cubra a barraca com uma lona, fazendo um “telhado” acima da barraca (nem todas as situações e locais permitem isso, mas para o camping estruturado é uma coisa bem comum). Evite também guardar sua barraca e as varetas de fibra em locais quentes demais.


6. Tenha silver tape por perto

Mesmo com todos os cuidados do mundo você pode ser vítima de algum incidente, nestes casos alguns pedaços de silver tape ajudam a tapar buracos e rasgos e, em alguns casos, permitem até remendar uma vareta quebrada.
Bons ventos e até a próxima!